A LINHA DO TEMPO
A linha do tempo é sempre um gume que corta certas pessoas diante da simples existência. Esse ferimento sempre está ligado a origem da pessoa. Veja só: Na antiguidade as pessoas já nasciam como escravas e tinham que exercer funções e tarefas por toda a vida para manter o senhor bem cuidado e sempre disposto. Passados os anos, houve uma mudança. As pessoas nasciam na propriedade de alguém, e como lá estavam precisavam exercer tarefas e cuidados para o feudo e seu senhor. Senhor esse que só esperava os frutos do trabalho do servo que teve a sorte ou o azar de nascer naquela terra. Passados mais alguns anos na linha do tempo chegamos aos proletários. Esses que não possuem nada e nasceram nesse mundo sem eira ou beira e tem apenas a força física e o seu tempo de vida para trocar por dinheiro e manter a sua subsistência. Aqui temos uma barreira a ser transposta.
O problema não é a troca do tempo de vida por dinheiro, o problema é a baixa valorização do tempo de vida das pessoas que é trocado por dinheiro. Ou melhor, é a troca do tempo de vida por pouco dinheiro. Sei que algumas tarefas são simples e outras complexas, mas ambas precisam ser sempre executadas. Contudo é sempre válido observar que há quem não executa tarefa nenhuma. Isso é explicado e aceito como que apenas essa pessoas nasceram ricas, e são providas do fruto do trabalho dos seus ancestrais. Eu não consigo validar em minha mente que um ser humano apenas por ter nascido de determinada família já não precise mais contribuir com a sociedade, tendo apenas que gozar dos frutos do trabalho dos seus antecedentes. Que, possivelmente, acumularam fortunas com o trabalho de outras pessoas e possivelmente com baixíssimas remunerações.
O tempo está correndo agora, enquanto você lê esse texto, pensando um pouco sobre a sua linha do tempo e o valor do seu trabalho. Bom, já é sabido que podemos partir daqui a qualquer momento. Não há enganação nisso, mas o tempo de passamos com aquilo que nos dá prazer cada vez mais é diminuído. Em troca apenas do cumprimento de metas que só enriquecem aqueles que já nasceram com dinheiro. Temos metas por cima de meta, sempre maiores e cada vez mais inalcançáveis e assim deixamos a única coisa que é só nossa (o tempo) nas mão de um terceiro que acumula riqueza para que seus filhos gozem dela, enquanto aos nossos filhos resta apenas a nossa ausência.
Talvez esteja na hora de repensar a meritocracia e as formas de retribuição ao trabalho. Bem como, o modo através do qual consumimos os recursos e a energia do planeta. Não quero aqui discutir a igualdade pura e simples, visto que isso não funciona com o ser humano. Contudo, quando alguém tem uma fortuna que representa o ganho de um pais inteiro e ou de vários países. Há de se pensar que isso não pode perdurar no transcurso do tempo com a perpétua exploração daqueles que são mais frágeis. Aqui, frágeis não são os fracos, são aqueles que tem as mais diversas profissões e habilidades e estão recebendo migalhas do que a humanidade consegue produzir com muito esforço. E no transcurso do tempo trabalhamos e trabalhamos e outros apenas gozam do trabalho e da exploração de seus ascendentes fixando na história um movimento de exploração que não parece não ter fim ou estamos muito acomodados nessas poltronas de cinema oferecida por nossa vida moderna e digital que apenas escolhemos não fazer nada.
Comentários
Postar um comentário