A menina que Apontava
A menina que Apontava
Pessoal, a história que eu vou contar aconteceu lá no interior do Ceará. Foi lá onde nasceu Belinha. Uma menina muito linda, de lábios vermelhos e pele branquinha. Ah! E com os cabelos lisos com pontas cacheadas. Uma fofura de criança! Essa menina de seis aninhos é bem observadora. Creio que observar seja da idade que ela se encontra nesse exato momento. Como observa e descreve nos detalhes tudo aquilo que vê.
O pai de Belinha é seu Belo. Homem honrado, cabra do interior. Falo tá falado! Contudo ele adora passear nas praças com a sua filha. Filha única, tesouro de Seu Belo. E quando ele anda com ela pelas ruas ele fica bestinha. Encanto com a sua cria que cresce e chama a atenção de todos onde passa. Mas, a menina Belinha não chama a atenção para se apenas pela beleza ou pela simpatia encabulada que só as crianças têm. Ela chama a atenção porque o dedinho indicador dela não para de apontar.
Seu Belo, certo dia estava a passear pela Praça Tiradentes e o dedo de Belinha sempre aponta, e em seguida Belinha falava com toda a atenção:
-Pai, olha: A estatua daquele homem! Ele foi padre?
- Não Bela! Ele foi um herói da inconfidência.
- Pai, o que é Inconfidência?
- Filha, foi um movimento político que conspirou contra o governo de Portugal que mandava no Brasil.
-Pai, o que é conspirar?
-Bom, conspirar é o mesmo que você secretamente fazer coisas contra alguém. E vamos parar com essa conversa, porque você vai estudar sobre isso na escola quando você for maior.
O passeio continuava e Belinha olhou com aqueles olhinhos brilhantes para o escorrego e perguntou ao Pai se poderia descer o escorrego. Meio relutante, seu Belo olhou o escorrego todo feito de cimento e concreto, olhou para a menina e disse: É pode ser, mas só um pouquinho. E assim a menina correu para o escorrego. Desceu uma vez, desceu duas vezes, desceu e desceu, foram tantas vezes que seu Belo perdeu a conta. E quando o pai a chamou para ir ela pediu mais um tempinho, e o pai chamou de novo e a garota veio em direção ao pai. E apontando com a aquele dedinho lindinho, cheio de dobrinhas disse:
-Pai, quem inventou o escorrego?
-Não sei minha filha.
-Mas Pai, o Senhor é tão grande tem que saber muito!
Espanto, o Pai olhou para um lado, depois olhou para outro e se lembrou dum pouco do Teorema de Pitágoras que tinha aprendido na escola.
-Filha! Não sei quem inventou, mas na antiguidade existiu um homem chamado Pitágoras, que foi filósofo e matemática, tendo estudado os triângulos retângulos. Essa é a forma geométrica do escorrego, e creio que foi um pouco depois daquela época que inventaram o escorrego. Mas não se sabe quem foi.
-Pai, o que é geométrica?
-Bom filha, esse nome vem de Geometria. É uma parte da matemática que estuda as formas dos corpos. É essa ciência que qualifica as coisas como triângulo, retângulo, quadrado, losango, circunferência e muito mais.
Continuaram o passeio e a cada novo encantamento a Bela tecia uma nova pergunta. E o Pai, sempre dando respostas, ora verdadeiras e outrora inventando as respostas para dar a sua filha. Assim temos que dá um desconto a Seu Belo, pois ninguém sabe de todas as coisas. Mas todo Pai merece ser o herói da sua filha.
Agente quando caminha, e se impressiona com as coisas do mundo, temos que ter a coragem de Bela de perguntar. Sempre tem alguém que pode tecer uma resposta ou alguém pode dá uma pista da resposta. É isso mesmo, uma pista da resposta! Essa pista é o caminho que vamos trilhar para nós mesmo procurarmos e construirmos nossas respostas.
Seu Belo vai ser sempre o herói de Bela, mas como todo pai um dia não terá mais respostas para algumas perguntas. Aí, a grande lição será a de investigar as coisas para ter suas próprias respostas. E para isso será fundamental os conhecimentos adquiridos na escola, que Bela já frequenta e brinca muito todos os dias.
Texto do Prof. Hedilberto Apolinário da Silva
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